Sobre novas perspectivas

segunda-feira, novembro 23, 2015



  • Você pode ler ouvindo: The Paper Kites
  • Eu me largava na minha cama desconfortável e ficava sonhando com o futuro. Tudo era novo demais, diferente demais, ai eu precisava ficar em posição fetal pra digerir o novo, pra digerir o amargo  e o doce do mundo.
    Em todos os lugares em que eu entrava ou frequentava, eu me sentava e ficava observando, e enquanto observava ganhava uma sensibilidade e talvez até uma percepção mais apurada do mundo, dos sentimentos e das pessoas.
  • Eu sempre fui introspectiva demais, calada demais, chorona demais. E me olhar no espelho se tornou algo no mínimo estranho. Tinha dias que ao levantar pela manhã, provavelmente após uma noite de insônia, eu me olhava no espelho e fazia várias perguntas pra mim mesma. "Em que me transformei ou estou me transformando? Porque tô com esse medo absurdo de viver? Porque penso em mil coisas ao mesmo tempo e no final acabo concluindo que na verdade não pensei em porra nenhuma? Porque eu sinto tanta falta de um alguém que me fez bem, mas o mal foi maior que o bem? Porque adquiri essa necessidade de provar pro mundo que sou capaz?"
  • Até que em um belo dia o corpo se cansou junto com a minha mente e o baque foi forte, me ver ali estirada no chão me fez pensar em tantas coisas, me fez acordar pra tantas outras. Mas mesmo tendo acordado pra vida eu não conseguia tomar uma atitude de mudança, continuava me cobrando demais, me exigindo demais, me punindo demais.
  • As consequências de minhas escolhas começaram a aparecer, consequências boas e ruins, silenciosas e barulhentas. Então eu comecei a pensar muito em trocentas coisas cada vez mais, a me cobrar mais. Quando recebia a notícia de que tinha conseguido atingir uma meta, eu ficava feliz, mas logo em seguida coloca em mente que tinha que dobrar a meta, seja produzindo mais ou tentando melhorar a qualidade de algo que ao ver do mundo estava ótimo. Mas eu não queria ser igual todo mundo, eu achava que precisava ter um diferencial pras pessoas me aceitarem. (sim, já fui bem tola). 
  • Em meio a tantos surtos eu comecei a sair demais pra lugares e com pessoas que nem me agradavam, bebia demais, para que pelo menos por uma noite eu esquecesse minhas dores e paranoias. 
  • Com o tempo, o sair foi perdendo a graça, seja o sair com amigas, sair com colegas de trabalho ou com algum paquera e eu novamente comecei a me enfiar num casulo simbólico. Mas mesmo dentro desse casulo eu não deixei minhas obrigações de lado, continuo indo trabalhar, continuo indo pra faculdade, continuo saindo de vez em quando. Mas preciso confessar que na maioria dos dias, viver se tornou uma tortura.
  • É muito ruim estar presente num lugar e não conseguir me concentrar,  pior ainda é após meia hora de ter saído da aula não lembrar e uma única palavra que o professor disse. Dói demais não sentir vontade de fazer as atividades devido a um bloqueio criativo que não me deixa pensar em nada que não seja nas minhas cobranças, na saudade que sinto dele, nas mil comparações que faço de mim com o mundo e começo a pensar que sou o pior ser humano do mundo e o mais burro.
  • Já falei em outro texto que o último sentimento que eu queria despertar nas pessoas era o sentimento de pena, mas tenho achado que é o único que  eu tô conseguindo. Ok, eu seria ingrata se deixasse de citar aqui as pessoas que estão me apoiando para que eu saia logo desse limbo que eu me enfiei. Pessoas que conseguem enxergar pequenas coisas que minhas vistas embaçadas não conseguem alcançar. E preciso dizer o quanto sou grata e gosto delas e aproveitar pra pedir desculpas por certas ausências físicas e falta de interesse em N assuntos.
  • Nem sei o porque comecei a escrever esse  texto, geralmente começo os meus textos com o final deles na cabeça, mas neste está sendo difícil finalizar orações e sentenças, até corrigir a paragrafação está difícil, imagine só como é difícil finalizar o que ainda está confuso dentro de mim?
  • Essa vida é louca demais e cheia de surpresas, então o jeito é não desistir e continuar lutando, mesmo que às vezes a vontade seja de sumir. 
  • Pensando bem, sumir seria o maior ato de covardia da minha vida, sumir implicaria em abandonar os meus sonhos, abandonar pessoas e inclusive abandonar um eu que independente do que aconteça só quer seguir. Então espero que o futuro me presenteie com inspirações a altura do que devo fazer, e com desafios a altura da minha vontade de supera-los. 
  • Esse é um texto sem sentido, sem conclusões precisas, sem um norte, sem amor, mas com um pouco de esperança.

Leia também

13 comentários

  1. Qua a vida nos surpreenda positivamente Ari, me identifiquei bastante.
    Ultimamente minha mente anda tão bagunçada que não consigo organizar um paragrafo sequer.

    Abraços

    ResponderExcluir
  2. Não são raras as vezes em que nos sentimos perdidas, com receio da melhor opção em cada momento concreto, ao mesmo tempo que sentimos desejo de corresponder aos desafios que a vida nos coloca. No fundo, uma insegurança que precisa por vezes de uma certa coragem para seguir em frente.
    Belo texto, Ariana!
    xx

    ResponderExcluir
  3. Ariana, o texto é belíssimo, complexo, transmite fortes sentimentos! Parabéns!
    Uma vez eu disse a uma amiga que textos longos e invonclusivos denotam, via de regra, algimas coisas: 1. Serem verdades. E, mesmo que criativos, conterem verdades indisfarçáveis. 2. Que a autora não engole a realidade e as duas vivem se batendo, mas a realidade bate com muito mais força. 3. Que as complexidades, nuances, belezas, riquezas e possibilidades da vida saíram do foco da autora, e ela insiste em focar no que não faz sentido, daí a sensação de vazio mo coração que normalmente se transmite em textos assim. 4. Que, apesar de tudo, a vida ainda dará uma volta surpreendente, e trará sutil e suavemente uma realidade que substituirá com muita vantagem a essa realidade em que a autora vive. Nesse dia, ela olhará para o texto que criou, entenderá como a vida é bela, e guardará o texto como recordação de um tempo em que esqueceu disso...
    Beijossssssssss

    ResponderExcluir
  4. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir
  5. Às vezes eu também me sinto muito confusa, me identifiquei bastante com o texto.
    Beijos
    Bluebell Bee

    ResponderExcluir
  6. A esperança não é a ultima que nasce
    mas a primeira que nasce.
    Belo texto;
    beijos

    ResponderExcluir
  7. Como diria minha amiga da escola "me senti super invadida". Digo isso no sentido de eu ter me identificado muito com o seu texto, muito mesmo. Não estou vivendo mais essa fase com a mesma intensidade do que antes, o que é bom, mas ainda me sinto em um leve estado de inanição. Agora, sei que você costuma escrever crônicas, mas esse texto me pareceu um tanto pessoal. Então, independente de o seu eu-lírico ser você, fique bem. <3

    Beijinhos. :*

    ResponderExcluir
  8. Ari!!! Desculpa pelo sumiço, eu desapareci do blog, num geral. Saudades grandes daqui, de ler teus pensamentos que são sempre tão realistas, profundos...
    "Porque eu sinto tanta falta de um alguém que me fez bem, mas o mal foi maior que o bem?" resumiu a porra toda da minha vida. Sério.
    Tenha esperança sempre sim, Ari! A grande maioria das pessoas já passou por alguns dos momentos que você descreveu, mas acredito que se manter forte, mesmo que seja difícil, seja a melhor decisão a ser tomada. Força.
    Beijos.

    ResponderExcluir
  9. Se despir assim para o mundo é um ato de muita coragem! Esse texto precisava ser feito porque quando externalizamos nosso caos interior conseguimos entendê-lo melhor e não há melhor forma do que a escrita não é mesmo.
    Às vezes precisamos nos fechar no casulo mesmo porque é assim que a borboleta consegue se metamorfosear. Tenho certeza que quando tuas assas tiverem prontas vais conseguir voar e enxergar tudo de maneira mais ampla e conseguirá por em ordem toda essa confusão.
    Não se esqueça da sua força e da sua fé.
    Beijos.

    ResponderExcluir
  10. os textos nem sempre precisam ter um porque. As vezes é só a alma querendo ser canalizado pelos dedos, vai saber. De toda forma, muito me identifiquei com o seu texto

    beijo
    beinghellz.blogspot.com

    ResponderExcluir
  11. Que texto lindo!
    Adoro a forma como você sempre escreve de uma forma tão envolvente e com um elemento sempre tão reflexivo.
    Até mais. http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  12. Odeio quando isso acontece comigo também.Você começa a se cobrar demais e acaba se frustando, e o único demônio na tua cabeça tem o seu nome.Horrível, mas uma hora a gente aprende a se desapegar e curtir a vida :)


    Beeijos :)
    http://carolhermanas.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  13. Flor,
    mesmo de longe não sinto pena de ti. Mas empatia e compreensão. Espero que essa esperança pequenina cressa mais um tantinho em ti e vá te dando folego novamente.
    Minhas melhores vibrações.
    Um beijão

    ResponderExcluir

Sua opinião/critica é muito importante pra mim.