Sobre confusões e o hiato que elas causam

domingo, dezembro 04, 2016




                                         
                                                    Você pode ler ouvindo: Fragments




Quando eu o entendo, me presenteio com a maravilha de descobrir que além de um sorriso bonito, ele tem os olhos grandes e que brilham, olhos que não são de ressaca, mas que poderiam ser como os de Capitu. Descubro também que por trás do cara maduro, com muitas bagagens na vida, mesmo com pouca idade, esconde uma insegurança enorme em tudo que se propõe fazer. Descubro um cara que disfarça suas inseguranças pessoais dando tudo de si na vida profissional, e ele brilha, brilha em tudo que faz.
Compreender um ser humano é tirar um tempo para observá-lo, como poucos o observariam, e assim fiz. Reparei seus olhares, seus gestos, manias, suas caras e bocas. Observei quando o silêncio era ensurdecedor. Observei quando o sorriso transmitia só dor. Observei as gesticulações contidas.  E sempre que eu podia ou achava necessário eu o elogiava, e lembro-me dele sair esparramando sorrisos por onde passava.
Ele é a complexidade em pessoa, e é por isso que às vezes eu não consigo entendê-lo, Confesso que acabei me perdendo nos seus conflitos. Perdi-me nos medos sem explicação, nas desculpas sem sentido, nos sumiços repentinos. Perdi-me nas nuances dos momentos compartilhados. Perdi-me quando as nossas confusões entraram em conflito. Perdi-me quando descobri que estava entendendo muito mais dele do que eu gostaria de entender. Perdi-me porque mesmo o entendendo eu criei expectativas. Expectativas essas que me cegaram por um tempo, que embaçaram o meu entendimento.
Perdi-me quando percebi que não havia mais reciprocidade. Perdi-me quando entendi que não havia mais cuidado. Perdi-me quando vi que não era mais o meu sorriso que coloria os seus dias. Perdi-me total quando finalmente entendi que eu seria sempre figurante, sempre a segunda, terceira ou quarta opção, ou seja, só serviria para quando ele estivesse mal. E mesmo perdida eu entendi que ele não fez por mal, porque é da essência dele ser assim, porque se agisse de forma contrária as suas inseguranças ficariam evidentes. E ele tem medo, ele acha que tem que passar sempre a imagem de pessoa forte e segura de si. E eu entendi que não preciso compreendê-lo sempre, nesse caso, fica sempre a tentativa. E tentar é incentivar o coração a aceitar as coisas como elas verdadeiramente são. E enquanto tento, há um hiato enorme entre nós que só cresce com o passar dos dias, ai compreendo que eu preciso seguir também. Se um dia o hiato irá diminuir ou acabar, eu não sei, nem quero pensar nisso.
Que sigamos então, sabendo valorizar as pessoas, os momentos, sentimentos, e construindo boas memórias. Enquanto o hiato cresce eu sigo buscando novas nuances, sem ele dessa vez.

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5 comentários

  1. Nós vemos as pessoas um pouco como elas são e outro pouco como somos. Um pouco como elas são e um pouco como o que sentimos por ela. Nós perdemos as pessoas um pouco quando elas se vão, mas um pouco também quando não sabemos estabelecer os reais limites para ela ficar. Ou, sei lá. Beijo

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  2. Ola Ari,
    Com ou sem as perdas sempre vem com
    algum amadurecimento do encontro,
    Beijos

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  3. Acho que tem muita gente assim, que se faz de forte pra não demonstrar as inseguranças. O melhor mesmo é seguir em frente. Se o hiato se fez necessário, o amadurecimento irá surgir, certamente.
    Excelente reflexão!
    Beijos beijos
    www.livroseafetos.blogspot.com

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  4. Adoro sua prosa, um show! Uau! E que maturidade, sempre com uma moral da historia implícita, demonstra segurança pra isso. Parabéns! Um clássico sempre! Beijos!

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  5. É triste quando as coisas mais bonitas se perdem, talvez por serem bonitas demais, talvez pela intensidade demasiada...
    Encontros de pessoas intensas nem sempre duram, mas são os mais bonitos.

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