Sobre carências, erros e autoconhecimento

domingo, agosto 18, 2019


                                            Você pode ler ouvindo:Billie Eilish - when the party's over


Há alguns meses, você me disse assim: "você está precisando viver um dia de cada vez e não ficar tentando antecipar tudo, tudo passa". E o tal tempo passou. Na verdade nem foi tanto tempo assim.
Passou o tempo necessário para que as minhas ideias e sentimentos clareassem e começassem a ter uma nova perspectiva.
É estranho ouvir essa frase quando a nossa mente vive no futuro e ao mesmo tempo faz ligações com o passado e raramente foca no presente. Mas foi no presente, neste instante em que vivo agora, que essa frase veio à tona na minha memória junto com alguns acontecimentos.
Meus últimos dias foram conturbados. Houve dias em que falei demais e pensei de menos. Noutros já pensei muito e não consegui verbalizar. Quando é mesmo que eu vou conseguir encontrar um meio termo nisso tudo? Houve dias em que deixei o meu ego me cegar.  Noutros o meu Id conseguiu manter o controle. E no dia seguinte eu já estava tendo pesadelos com alguns dos diálogos que ensaiei em frente ao espelho e guardei para mim. Mas o pior dia, o dia mais turbulento, foi o dia que te vi, assim do nada, sem esperar.
Quando eu olhei nos seus olhos castanhos esverdeados, e você por um momento encarou os meus, eu senti uma vontade gigante de te abraçar, mas me controlei e continuei minha caminhada.
No caminho fui pensando no meu erro. Refleti sobre o motivo de tê-lo cometido e me senti mais ridícula ainda por isso. Refleti sobre o que o mesmo me trouxe, como a desconfiança de algumas pessoas e, principalmente, a sua ira e mágoa. Mas mesmo mergulhada nessas reflexões eu consegui não me culpar e me perdoar por tal ato. Para isso precisei lembrar que nunca fui perfeita. Poderia dizer que errei tentando acertar, mas não foi por isso. Errei por não pensar. Errei por ter deixado meus impulsos me dominar.
Em seguida, lembrei-me de outras falas suas, das milhares de conversas que já tivemos. Lembrei-me, de um dia, tu me dizeres que não tinhas aprendido a perdoar e que estavas lutando para mudar isso. E isso nunca fez tanto sentido como agora. Eu sei que cada pessoa tem o seu tempo para digerir acontecimentos, para processa-los, mas já se passaram meses, e olhando nos seus olhos por alguns instantes eu consegui enxergar a mágoa e a decepção.
Eu gostaria de um dia ter coragem de te abordar na rua e dizer, cara a cara tudo o que te escrevi. Quem sabe assim fica mais claro para você e eu consiga me redimir?
Gostaria também de confessar algumas coisas. Esses meses que passaram jogaram várias verdades na minha cara. A mais difícil de aceitar foi que eu te queria só porque estava carente e precisava de colo, e não porque você me fazia bem e tínhamos bons papos. Eu te quis, quis muito. Mas sempre quis quando estava sofrendo, sempre quis, quando precisava de abrigo. E me envergonho por nunca querer ter tido você só por querer, só por gostar, por nunca querer sua companhia só porque eu gostava o que é verdade. Nessa altura do campeonato você deve estar se sentindo usado, então já vou me defender. Eu não te usei, eu simplesmente te conheci em um momento muito frágil de minha vida e você me ofereceu o que eu precisava na época e eu confundi sentimentos. Tudo o que já escrevi para você é verdadeiro. Tudo o que já te desejei, principalmente. Eu me envergonho por ter confundido tudo dentro de mim e ao mesmo tempo me sinto orgulhosa por agora perceber isso claramente. Envergonho-me por ter pensando que uma paixão fosse amor. Envergonho-me por tudo que fantasiei. Envergonho-me por ter criado um mundo paralelo onde tu eras uma marionete das minhas fantasias ou das minhas necessidades instantâneas. Não existiu amor de minha parte porque faltava o meu amor próprio e sem ele não há como eu amar outrem. Mas existiu carinho, admiração, sintonia. O que ferrou tudo foi as minhas ocultações e mente fértil.
Espero que um dia tu consigas me perdoar, e eu enfim possa ser novamente um dos motivos dos seus sorrisos.
Espero que tu consigas dar sentido a ele e consigas pratica-lo. Não só comigo, mas também com a vida. Pois acredite ou não, a vida também nos ferra.  Bons conhecimentos e reflexões para ti. Enquanto isso eu vou seguindo. Afinal, a vida não para, e eu preciso crescer mais. Cuida-te!

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3 comentários

  1. Ariana,
    Primeiro passando para agradecer a visita e o comentário no DOUG BLOG!!!
    Sobre o texto... Bela reflexão!
    As nossas vidas são caminhos, quando paramos, não vamos para frente!
    A vida é feita de lutas, então, lutemos as boas contendas com bravura e ser der medo, vamos ter de enfrentar com medo mesmo, pois, o tempo não estanca as suas horas para pedir que esperemos decidir o quê fazer?!
    Beijos!
    Volto depois para ler os teus outros escritos, pois, passei a lhe seguir.

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  2. A vida é curta e como dito no texto, a gente vive com os olhos ávidos voltados ao futuro... Maldita ansiedade. Malditas perspectivas, lembranças.

    Mas se conhecer e entender a necessidade de se dar um tempo... se permitir crescer, é incrível!

    Belo texto Ari, bjs

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  3. Que texto triste, porém bastante reflexivo. Estava com saudades de te ver por aqui...apareça amis...um abração Tally

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